Contradições

Há pessoas que definitivamente se incomodam com programas sociais que os governos são constitucionalmente obrigados a implementar ainda que na forma de políticas públicas e que, na prática, não o fazem devido à ideologias que são opostas a isso derivadas dos grupos que, de fato, tais governantes de direita defendem, isto é, os mais ricos.

1- Entretanto, gostaria de propor uma experiência prática a tais pessoas:
Nadarem (modalidade costas) 100 metros contra um competidor comum com uma anilha de 5kg presa ao corpo (nas costas, é lógico) e, evidentemente, sem vencerem a competição batendo o recorde olímpico, de preferência. Não, não precisa bater o recorde…

2- Enquanto, estiverem dando as braçadas quero que resolvam o seguinte paradoxo:
a) Segundo os princípios do livre mercado, não há nada de errado entre o preço de determinado produto diante de sua demanda, ainda que diante de um desastre ambiental, ou seja, diante de um tsunami sob a cidade arrasada e perfeitamente justo cobrar o que se quiser pelo produto/ serviço em detrimento do sofrimento humano já que para os economistas uma coisa não tem nada a ver com a outra.
b) Com isso em mente, isto é, um pensamento pragmático e racional desprovido de qualquer sentimento abordem a questão do ponto de vista da justiça que, entre outras coisas, promove o equilíbrio entre o forte e o fraco (daí o símbolo da balança) de forma que o Estado emerge da sociedade com a ideia de bem estar de todos – e não de uma minoria.

Terminada a prova me digam se conseguiram vencê-la ante o concorrente e a conclusão do que abstraíram acerca do tema.

Caso queiram debater esta postagem, por favor, envie-me o vídeo do nado para a devida comprovação de que executaram a prova, caso contrário, nem perderei o tempo discutindo à toa…

Conclusão: a contradição entre o discurso de ódio à esquerda, aos programas sociais, ao PT se dá acontece porque são discussões oriundas de uma ideologia baseada no pensamento fascista, ou seja, se baseia num sentimento de aversão, raiva, ódio, etc.

Perpassa por alusões ao capitalismo, liberdade, patriotismo, sistemas econômicos que por sua vez são questões afetas às ciências como a política, econômica e isso nada tem a ver com emocionalismos baratos e despidos de conteúdo.

Então, o ódio a isso ou aquilo não é base de argumentação alguma que possa legitimar tais opiniões empobrecidas.
Ora, ou se tem ódio ou se tem a razão norteando o discurso, mas os dois não!

Singularidade

Cansado de ler os comentários daquele amigo virtual, metido a sabichão e candidato a dono da verdade, você nunca parou para pensar em que consiste de fato a verdade, ou melhor, a realidade?

Real é exatamente aquilo que está diante de nossos olhos – que pressupomos nunca nos enganar –  ou, são as histórias contadas pelos nossos pais e avós somadas ao conhecimento adquirido na escola, roda de amigos e grupos do trabalho?

E o conteúdo da revista, do Blog, da TV, Internet, etc.? Como pode tudo ser verdade se todos se contradizem e não entram em consenso quase nunca…ou, como poderiam todos estarem certos?

O primeiro ponto a ser destacado seria, ao meu ver, o de que a realidade não é um fenômeno estático e que sofre a interferência do elemento humano com seu subjetivismo e abstração, ou seja, ela e fruto de tudo aquilo que está na nossa mente. E, se cada um pensa de um jeito…

Por isso que o Carlinhos vê o mundo de uma maneira que o Joaquim não enxerga; é daí que se origina os gostos do João que a Mariza não suporta, isto é, da diversidade de produção da nossa imaginação sobre o que seria o mundo ideal para nós.

A partir daí, emerge os mais variados conflitos porque os outros “teimam em não pensar como nós. E isso nos soa como arrogância, afinal de contas quem são eles para não aceitarem o nosso ponto de vista! ”

Penso que essa é a origem da nossa vida em grupo, isto é, a busca de pessoas que apoiassem a nossa ideia de mundo perfeito. Assim, se outros discordassem de nós, o grupo agiria para nos proteger, já que sozinhos, não faríamos isso com sucesso. Nesse caso, o nosso desafio consiste em agregar um número suficiente de adeptos aos nossos ideais para nos sentirmos confiantes em alcança-los, ainda que isso, não traga benefício algum para eles.

Tenho observado um comportamento cada vez mais egocêntrico, sobretudo, nas redes sociais, onde alguém que aderiu a uma ideologia política acredita (não se sabe o porquê…) que deve odiar a outra. Para piorar, o cidadão que afirma não estar nem aí, para o que eu penso, ou, necessito, acredita que eu deva aderir obrigatoriamente a sua posição – por imposição.

Nos casos mais extremos estão os absurdos de imbecilóides que atacam pessoas indiscriminadamente somente por portarem algum objeto que evoque os signos da ideologia odiada, seja uma camisa vermelha, uma barba, uma ideia, enfim, qualquer coisa.

Outrossim, seria como se tais pessoas evocassem para si a alcunha de donas do país, pelos critérios que acreditam são melhores que os outros e, tudo o que não se enquadre nisso, não passa, então, pelo seu rigoroso crivo de aprovação que determinam como padrão para todos.

Tais fascistas de quinta categoria não entendem conceitos como os de democracia, na verdade, são contrários a eles. É que no fundo há uma ideia de dominação que vem lá do Brasil colônia onde as coisas do Estado se confundiam com as coisas dos “sinhôs” e essa gente esdrúxula botou em sua mente que estão no mundo para serem servidas pelos outros que seriam vistos como seus servos.

O brasileiro é assim – um paradoxo – ao mesmo tempo que acalenta a ideia de passar a perna no seu próximo adora um servilismo, desde que quem o subjugue seja alguém bacana, não pode ser um similar. No jargão popular chamamos gente assim de vira-latas: um sem vergonha que não tem escrúpulo de si mesmo.

Há inúmeros exemplos por aí, como o do malandro que para não pagar pensão lançou mão do artifício de conseguir uma vaga na escola particular através de um programa social da prefeitura se utilizando do acesso que sua parceira tem e burlando o sistema para depois contar vantagem aos outros. Curioso é que o imundície faz o mesmo com ela e por onde vai com todos que se deixam levar pela carinha de bonzinho que faz.

Tais golpistas estão aos montes por aí, como, por exemplo, a síndica que para se fazer de cidadã honesta bate panela, usa camiseta da seleção e grita palavras de ordem contra determinado partido do atual governo, mas, junto a um estelionatário subtraiu a energia dos moradores, além de surrupiar o dinheiro do fundo de obras. Demonstrando seu verdadeiro caráter.

Já, lá no trabalho, os golpistas armam seus esquemas para, como dizem, se dar bem. Depois, se sentindo inseguros passam a abordar os colegas de forma a tentar se impor acreditando que assim, irão adquirir o respeito destes. Ora, ou uma coisa, ou, outra.

E o que todos têm em comum? São ávidos e fervorosos defensores da moral, dos bons costumes, das regras e normas, da disciplina…desde que para os outros, ademais da conta, estão acima de todos pelo simples fato de se acharem mais espertos e superiores.

Hilário, foi, dia desses, assistindo um político pastor que descontroladamente xingava seu opositor justificar que na igreja ele é uma coisa e ali no plenário é outra e, com a cara mais deslavada ainda convidou sua vítima a conhecer a Jesus e experimentar a transformação da salvação.

Todos os dias eu vejo um pregador destes se levantar em algum púlpito: é lá no trabalho (sou um homem de Deus, puro e sem pecados), entre os parentes (na frente dos outros é o bonitão, mas “quem te conheça que te compre”), e, proliferando nas redes sociais…aí (“PQP”), brota da terra, se de “médico e louco todo mundo tem um pouco”, é na rede social que o manicômio abre as suas portas, pois a malandragem descobriu uma brecha por onde entrar e se criaram.

Perceba, então, o quanto de dificuldade há para que decodifiquemos a realidade onde nos situamos, pois, os estímulos são incessantes e proliferam das mais variadas e indiscriminadas fontes, onde, até mesmo o que é comprovadamente científico se vê questionado diante do conhecimento de senso comum do especialista de rede social.

A partir de toda esta “Babilônia” é que, outrossim, precisamos buscar nas estruturas sociais construídas até aqui e registradas em sua memória histórica os subsídios para formularmos nossa ideia de mundo, incluindo, ideia de valores e princípios que são estruturas mínimas da vida em sociedade.

Aliás, se a vida em sociedade pressupõe interdependência como pode ser razoável que vivamos tentando sobrepujar e levar vantagem sobre o próximo acreditando que isso não se voltará contra nós em algum momento por alguém que se ache mais esperto e mais forte?

No fim, fica a questão: que tipo de realidade ou verdade estou ajudando a construir?

Raniery

Você sabe o que está falando?

Eu costumo dizer que língua não tem osso e cada um fala o que quer. Diante disto é praxe na Administração Pública aparecerem ora, aqui, ora ali, certos aventureiros que com seu jeito exótico manifestam todo tipo de folclore entre as diversas funções em que se disseminam.

Pensam, falam e…escrevem o que querem à revelia de todo o fundamento jurídico –administrativo induzindo os mais vulneráveis em sua conversa mole. Não bastasse isso, ainda pensam estar revolucionando a ciência da Administração com suas jogadas.

Na verdade, tudo não passa de sua conversa “pra boi dormir” e escondem por trás disso, interesses particulares, atitude que colide com  a Supremacia do Interesse Público- norte de toda a Administração Pública.

Por exemplo, o caso do policial que chateado com a ronda dos guardas noturnos decidiu movimentar o aparato público em razão de seu incômodo. Bastou o advogado da associação daqueles trabalhadores questioná-lo da legalidade de seus atos que as inconsistências apareceram e toda aquela confiança do “autuação” se desvaneceu sozinha.

Mas, e, infelizmente, este tipo de postura inadequada infecta a “coisa pública” por todos os recantos deste país. Confunde-se atribuição e legitimidade com abuso de autoridade e poder, quando não, é exatamente o oposto- a lei estabelece os limites dos tentáculos do Estado- via Direitos e Garantias Individuais e Coletivos.

É este tipo de postura que me incomoda e que se generaliza entre as mais diversas atividades estatais, incluindo a do Estado-Polícia, onde o agente investido do cargo e função se utiliza disto pra auferir vantagem em proveito próprio e não para atender os interesses da coletividade.

E é isso que me faz ter uma imensa antipatia pelas atuais formas de “abordagem” policial como esta que se viu. Na verdade, não sou eu quem generaliza, mas é a grande quantidade de situações que graçam todos os dias que nos leva a isso, e, se as tais corporações têm interesse em cuidar de sua imagem junto à população deveriam punir severamente os maus profissionais para que não levassem junto os bons – que para mim são exceções dentro de um universo de más condutas.

Eu gostaria de tecer elogios em maior quantidade que críticas, mas não sou eu quem deve deixar de criticar, e, sim, os abusadores que se escondem por trás do cargo público é que deveriam estar preocupados com suas atitudes.

Raniery

Você Sabe Com Quem Está Falando…?

O dever do Estado é prestar a segurança de seus cidadãos. Disto todos nós sabemos intuitivamente. No entanto, entre o mundo ideal e o real existe um hiato onde inúmeros fatores preenchem as lacunas.

Desde 1988 vivemos sob a égide de uma democracia onde o poder da lei traça os limites entre os que governam e seus governados. Não estendem poderes. Os limitam. E qual é o limite? Os direitos e garantias individuais e coletivos.

E mais: há o chamado Interesse Público supremacia Constitucional que norteia a atividade da Administração Pública onde seus agentes não possuem a liberdade de fazerem o que querem a não ser por determinação legal, pois o cargo e a função não lhes pertencem, mas sim ao detentor maior de suas prerrogativas e derrogações: o povo.

Porém, em dias de golpe dos extremistas da Direita fascista temos assistido um sem número de violações constitucionais de todo tipo em nome da farsa da indignação anticorrupção que nada mais é que a tradução da frustração projetada daqueles que querem estar em postos de poder roubando e não saneando o Estado.

Nem os batedores de panela com sua ridícula retórica têm moral pra dizer que estão engajados numa luta pela ética já que são os primeiros a burlá-la em coisas mínimas, como por exemplo, levar vantagem sobre alguém na fila do café, no trânsito, na sonegação de impostos e por aí, vai.
Já as ôtoridades e seus métodos nada ortodoxos estão se sentindo acima do bem e do mal e da lei. Desde juiz comprometido até polícia que pretende ir além de suas funções estamos vivendo um desafio confrontador dos ideais democráticos.

Testemunhei nesses dias a carteirada de um policial federal que incomodado com a ronda dos vigilantes de rua decidiu usar de suas atribuições para dissuadi-los de sua atividade para que com isso seu sono não fosse perturbado.

Solicitou o apoio da PM (?) e então, deu a batida:

– ô, ô, aí, ó é a puliça! P-Ú- LI- Ç- A! Têje prendido!

Os rapazes da vigilância sem entender nada questionaram, então, sobre qual o crime que estariam cometendo e lhes fora dito que aquela “ desfaçatez” toda era usurpação da função pública, um dos tantos crimes contra a Administração Pública cometidos por particulares constando no artigo 328 do Código Penal Brasileiro

USURPAÇÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA

Art. 328 – Usurpar o exercício de função pública:
Pena – detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único – Se do fato o agente aufere vantagem:
Pena – reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

O curioso é que não havia uma única viatura da Polícia Federal, a despeito dos dois funcionários que constrangidos faziam a tal notificação.
Questionado sobre a necessidade dos serviços prestados os policiais unanimemente afirmaram que não adiantava nada, pois o vigilante não poderia tomar atitude alguma e que os “meliantes” não se intimidariam.
Alertados para o fato de que desde o começo de seus serviços por ali houve uma significativa diminuição do trânsito de pessoas suspeitas responderam que o Papa Argentino torce por um time da Argentina e não deveria ficar por aí defendendo as causas sociais…ou seja, não disseram nada com coisa nenhuma!

Por outro lado, reconheceram a negligência e o abando no do Estado. Neste instante houve uma pequena discussão, pois de um lado os PMS desataram a esculhambar com o governados Alckimin e o PF com o projeto do PT de se perpetuar no poder, mas ao cabo de tão produtivo processo técnico-profissional não tiveram coragem de conduzir os vigilantes ao 3º Distrito. É claro que deram uma bronca neles asseverando-os a não mais praticar aquilo que não configuraram para a apreciação de um devido inquérito penal.
Vou falar uma coisa: depois que os tucanos desencadearam este processo de desestabilização da nação o que já não estava fácil acabou de piorar, pois se decidiu que não se acolherá os preceitos constitucionais que estão disseminados por todos os códigos e legislações brasileiras e voltamos ao tempo do coronelismo.

Ao fim das contas, e, usando uma frase de um colega do policial federal, sempre aparece um Exú pra atrapalhar a vida dos outros. Se a ideia é a de uma pessoa demente e que pratica o mal de forma gratuita eu concordo com a designação, mas se houver referência às entidades Afro-brasileiras eu discordo, pois elas não merecem serem ofendidas com tal comparação.
Um país precisa de normas e leis que o regule para que todos vivam harmonicamente em sociedade e não de fanfarrões que decidam subverter a ordem constitucional trazendo o caos sobre nós.

A Curtição Dos Debilóides

 

 

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Que o Big Data veio pra ficar não se discute. Entretanto, há princípios que não perdem o seu valor em função das distorções que se praticam sob a justificativa das transformações culturais operadas pelas tecnologias.

Se de um lado há a explosão da informação de forma instantânea, de outro, há a banalização dos critérios de validade das mesmas. Sabe-se que as mídias tradicionais enfrentam a pior crise desde o seu surgimento e pra piorar se mantêm irredutíveis quanto aos seus apegos ideológicos. Sobretudo, a mídia brasileira que mantém raízes patrimonialistas assumindo a pretensão de quarto Poder.

O fôlego destas instituições em colapso se dá porque ainda encontram pessoas dispostas a viver na ilusão, conduzidas por motivos nada sustentáveis. Se o fundamentalista de direita é um garoto que criou um site e por conta de meia dúzia de palavras conseguiu arrastar tantos e quantos seguidores, isso não se dá pela qualidade de seus discursos, mas muito mais pela fragilidade de quem os segue. No entanto, se já é o adulto, maduro ou o de meia idade teme-se que a vida não lhe serviu pra nada no que diz respeito à experiência.

Vivemos uma crise crônica de pensamento onde as pessoas se deixam levar pelo próximo post que se publica. É o artista que foi morto, enquanto recebe a notícia passeando pelo shopping; é o vídeo tosco montado pra se ganhar curtidas, enfim, é o culto à mediocridade que as pessoas acabam levando pro cotidiano, sobretudo, em questões importantes.

Aristoteles advertiu: “um jovem não é bom ouvinte de preleções sobre a ciência política. Com efeito, ele não tem experiência dos fatos da vida, e é em torno destes que giram as nossas discussões.”
Mas, esclarece: “E não faz diferença que seja jovem em anos ou no caráter; o defeito não depende da idade, mas do modo de viver e de seguir um após outro cada objetivo que lhe depara a paixão. A tais pessoas, como aos incontinentes, a ciência não traz proveito algum; mas aos que desejam e agem de acordo com um princípio racional, o conhecimento desses assuntos fará grande vantagem.”

O sentido pejorativo da palavra “jovem”, portanto, não se deve à idade, mas à inexperiência – prerrogativa, infelizmente, presente nos adultos também -, que não permite distinguir o bom do ruim e, portanto, tomar decisões acertadas.

Por outro lado, Heráclito advertiu a milhares de anos atrás: “asnos prefeririam palha a ouro.”

Por conseguinte, é nesta simplicidade que as pessoas apostam o seu futuro, em soluções baseadas em fundamentações de origem ideológica que atendem, não às suas necessidades, mas, às daqueles que os induzem em seus sofismas. Basta prestar atenção nos principais meios de comunicação que se dizem isentos, imparciais, independentes em como manipulam a verdade.

No Brasil, pós-eleições, estamos sendo assaltados por este tipo de mídia altamente manipuladora que, a pretexto de combater a corrupção e a má administração do Executivo aponta os seus holofotes para um determinado grupo enquanto blinda o outro, que pratica os mesmos atos de improbidade, demonstrando o seu total descompromisso com a nação, mas numa fina sintonia com determinados grupos do poder. É nessa contradição que reside o perigo, pois se, de modo algum, aqueles que são situação deveriam deixar de responder por seus atos (desde que devidamente comprovados), estes, por sua vez, ainda que oposição, não menos. Porém, não é o que se vê.

Não é aceitável que se pretenda desestabilizar uma democracia apelando para o golpe contra o sufrágios universal que dá ao cidadão a capacidade de participar efetivamente do poder por meio de argumentos furados baseados em antipatias e preconceitos que evidenciam a ignorância de quem os projeta.

Hoje, como nunca, há uma alta demanda por mentes capazes de analisar o seu meio criticamente filtrando toda e qualquer intenção de grupos poderosos que pretendem utilizá-los como massa de manobra em prol dos seus interesses, mas ao que parece a atual geração não possui tal capacidade a despeito de viver a chamada revolução da informação. Conclua que não faz sentido criticar algo que não se tenha embasamento mínimo pra se discutir.

Ora, quem se porta assim demonstra sua debilidade em perceber a realidade que o cerca e passa, portanto, a integrar uma massa de debilóides “compartilhadores/ curtidores” de posts e não de pessoas politizadas, na verdadeira acepção do termo, e, por conseguinte, inabilitadas a exercer e/ ou cumprir a integralidade do seu papel de cidadão.

Raniery

Balão Vazio: Oficina de Oportunista

pensamentoDecisão é uma palavra que encontra em seu significado uma ideia que fora levada ao seu máximo expoente na natureza humana. Afinal de contas, ela vive em nós, desde que nos descobrimos seres que abstraem. De fato, decidir se correlaciona diretamente com sobreviver, e recorremos à nossa capacidade de processar o que extraímos do meio para fazer isso- de forma mais eficiente o possível- pelo menos em teoria.

É que a partir de outra habilidade nossa (a de produzir cultura) que permitimos que um hiato se instalasse em nós, acarretando daí, inúmeros prejuízos que sequer detectamos, e, é onde, oportunamente, outros se infiltram. Quando deixamos de refletir autonomamente e transferimos tal tarefa a alguém, ainda que inconscientemente, ficamos expostos às intenções, nem sempre nobres, daqueles que ocuparam o espaço que nos era de responsabilidade.

A despeito de nos convencermos de que somos senhores de si, observa-se cotidianamente em todos os níveis e áreas sociais tal fenômeno ocorrer. Tanto, que os sociólogos, filósofos, jurisconsultos, entre tantos especialistas, produzem inúmeros tratados sobre o tema constantemente. É na publicidade, nas ideologias políticas, na divisão do trabalho e historicamente, desde que decidimos viver em sociedade, que se observa uma dialética que implica na intersecção da dominância do homem pelo homem.

Doravante, se faz sentir a necessidade de uma observação atenta aos processos subliminares de mensagens codificadas dentro de módulos subjetivos que pretendem nos induzir a aceitar aquilo que nos subjugará. E o curioso (e inexplicavelmente contraditório) é que, após a nossa adesão displicente, é provável que ainda defendamos o opressor/ explorador.

Atualmente, em face da imersão social nas novas tecnologias temos os pseudodefensores nas redes sociais, que encabeçam campanhas orquestradas por políticos, que vislumbram angariar a simpatia de setores da sociedade, que se sentem insatisfeitas com a diminuição na sua capacidade consumista. Um processo global, aliás, e não privilégio deste ou daquele país.

O que não se observa é que o consumismo (e não consumo sustentável) é uma ideia implantada pelos detentores do capital para que o ciclo econômico gire em detrimento da escassez dos bens da terra. Logo, a insatisfação é parte inerente ao processo produtivo, visto que, impõe ao que consome a necessidade de consumo-descarte, num ciclo retroalimentativo.

Ou seja, somos estimulados a todo instante sobre o que devemos fazer ou deixar de fazer e segundo os interesses da produção ou o lucro daquele que investiu seu capital. Isso, não precisa ser feito de forma irracional, necessariamente, mas sustentável, afinal de contas, não seria possível a nossa subsistência sem toda essa estrutura, o que não quer dizer que deva ser obrigatoriamente desenfreada, inconsequente e unilateral.

Os Direitos e Garantias Constitucionais são desconhecidos, sobretudo no Brasil, e soam como um favor que os poderosos concederiam paternalmente aos seus domesticados, o que é um impropério. Acontece que, se o cidadão que é o maior interessado, não luta pelo que é seu, como poderia ele imaginar que o Estado o faria, entretanto, seus algozes buscam inescrupulosamente patrocinar políticos que implementem os seus interesses.

Ora, abdicar de nossa consciência e decorrente capacidade racional, em detrimento das estruturas gananciosas e exploradoras, é estar acorrentado a grilhões que se impõem milenarmente, numa estratificação doentia, onde uma meia dúzia detêm a maior parte da riqueza e a grande maioria os observa passiva e submissamente. Não tendo nada a ver com o direito à propriedade- uma liberdade fundamental- já que há uma relação direta com o seu fim social.

Isso é uma tremenda contradição e um infeliz desperdício de capacidade de decisão. Soa-me como uma incapacidade displicente de tomar os rumos da própria vida entregando a sua condução nas mãos de quem não se interessa por ela, a não ser para usá-la em proveito próprio, isto é, em estado de servidão.

Evidentemente que no instante em que o subjugado decidir libertar-se da corrente daquele que o controla, confrontando o (poder do) status quo, suscitará a fúria e a ira do que se incrustou que apelará para a força na expectativa de dissuadir o insurgente de sua rebeldia, mas não resistirá indefinidamente e cederá proporcionalmente ao poder de resistência. Vide, os inúmeros ditadores que capitularam diante dos revoltosos.

E aí, já se decidiu? Ou ainda decidem por você?

RANIERY